Ruptura sobe em dezembro, mas preços de alimentos básicos recuam no acumulado de 2025

Índice de Ruptura da Neogrid ficou em 11,4% em dezembro, diferença de 0.2 pp em relação a novembro

O Índice de Ruptura da Neogrid, indicador que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros, atingiu 11,4% em dezembro de 2025, registrando alta de 0,2 ponto percentual (p.p.) em relação a novembro. No acumulado do ano, a média anual do índice ficou em 12,28% – redução de 0,81 pp. na comparação com 2024, quando o indicador fechou com média de 13,09%. 

“Esse leve aumento da ruptura em dezembro é um movimento esperado, influenciado principalmente pelo ajuste operacional típico do fim do ano, quando parte da indústria reduz o ritmo de produção e entregas”, analisa Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid. “Ainda assim, o fechamento de 2025 mostra uma evolução positiva no abastecimento com uma média anual inferior à de 2024, refletindo um planejamento mais eficiente ao longo do ano.” 

Ruptura Geral 2024/2025

Ruptura Geral 2024/2025

Ruptura das categorias que se destacaram em dezembro de 2025 no Brasil: 

Aumento: 

  • Leite UHT: de 13,1% para 15% (1,9 p.p.) 
  • Feijão: de 7,3% para 9% (1,7 p.p.) 
  • Arroz: de 6,9% para 7,8% (0,9 p.p.) 
  • Café: de 6,3% para 6,4% (0,1 p.p.) 

Queda: 

  • Ovos: de 24,1% para 19,7% (-4,4 p.p.) 
  • Azeite: de 8,7% para 8,1% (-0,6 p.p.)

Leite UHT 

O leite UHT registrou alta de 1,9 p.p. na ruptura em dezembro. Este é o segundo mês consecutivo de aumento na indisponibilidade de algumas marcas, em uma trajetória de elevação iniciada depois do índice atingir seu menor patamar anual em outubro (6,7%). A média de indisponibilidade da categoria fechou o ano de 2025 em 11,6%. 

Em contrapartida, na última listagem, os preços do produto recuaram e alcançaram os menores níveis de 2025. O leite integral teve queda no preço médio, de R$ 5,31 em novembro para R$ 4,99 em dezembro, enquanto o leite desnatado retraiu de R$ 5,44 para R$ 5,18 no mesmo período. 

Feijão 

A indisponibilidade do feijão cresceu 1,7 p.p. em dezembro, passando de 7,3% em novembro para 9% neste levantamento. O índice voltou a subir no fim do ano, encerrando 2025 em trajetória de alta com o segundo maior patamar anual. No acumulado do ano, o grão fechou com média anual de ruptura de 7,3%. 

Em relação aos preços, o valor médio por quilo do feijão encerrou 2025 no menor nível do ano. O feijão-preto iniciou 2025 a R$ 8,84 e terminou dezembro cotado a R$ 6,10 – queda de 31%. Já o feijão-fradinho oscilou de R$ 10,04 para R$ 8,33 – recuo de 17,0% no período, ao passo que o feijão-vermelho, que começou custando R$ 14,89, encerrou o ano passado em R$ 12,73 – redução de 14,5%. 

Arroz 

O arroz também ficou entre os itens que registraram alta na ruptura em dezembro, com o índice variando de 6,9% em novembro para 7,8% – incremento de 0,9 p.p. Assim como observado no leite, a última listagem interrompe uma sequência de meses em patamares mais baixos. No acumulado de 2025, a média anual de indisponibilidade do arroz ficou em 7,7%. 

Em relação aos preços, o produto apresentou queda ao longo do ano. O arroz branco registrou redução de 25,5%, passando de R$ 7,15 por quilo em janeiro para R$ 5,33 em dezembro. O arroz integral teve recuo mais moderado, de 7,7%, ao sair de R$ 12,13 para R$ 11,20 no mesmo período. Já o arroz parboilizado apresentou queda de 26,4% (de R$ 6,71 para R$ 4,94). 

Café 

Apesar de figurar entre os itens com aumento no mês, o café apresentou leve variação de 0,1 p.p. em dezembro, mantendo o índice praticamente estável em relação a novembro. No contexto anual, o indicador iniciou 2025 em patamares elevados, acima de 11%, influenciado por fatores externos relacionados à safra e às exportações, mas passou a apresentar trajetória consistente de queda a partir do segundo semestre. No acumulado do ano, a média anual de ruptura do café foi de 9%. 

Em relação aos preços, o movimento foi inverso ao longo do ano. O café em pó iniciou o ano passado com preço médio de R$ 64,78 por quilo e encerrou cotado a R$ 83,38, enquanto o café em grãos apresentou valorização ainda mais acentuada, passando de R$ 107,22 para R$ 149,77 no mesmo período. 

 

Ovos 

Com a maior queda entre as categorias analisadas, os ovos de aves registraram recuo de 4,4 p.p. na ruptura em dezembro, chegando a 19,7% – contra 24,1% em novembro. Ao longo de 2025, a categoria foi impactada por fatores externos, como restrições temporárias às exportações decorrentes de casos de gripe aviária registrados em outros países, o que influenciou a dinâmica de oferta no mercado interno. O índice havia atingido seu pico anual em março de 2025, com 24,5%, e encerrou dezembro no menor patamar do ano – o mesmo observado em janeiro do ano passado (19,7%). 

Azeite 

O azeite registrou redução de 0,6 p.p. na ruptura em dezembro, mantendo a tendência de acomodação observada após os níveis mais elevados do meio do ano. A categoria alcançou seu maior índice em junho de 2025 (10,4%) e, desde então, passou a operar em patamares progressivamente mais baixos. No acumulado do ano, a média anual de ruptura do azeite ficou em 8,4%. 

Os preços do produto acompanharam esse mesmo movimento de queda ao longo de 2025. O azeite de oliva extravirgem apresentou redução de 19,6%, passando de R$ 116,20 em janeiro para R$ 93,40 em dezembro. Já o azeite de oliva virgem teve queda ainda mais acentuada, de 23,4%, ao recuar de R$ 98,23 para R$ 75,23 no mesmo período. 

O que é ruptura? 

Ruptura é um indicador que mostra a porcentagem de itens em falta em relação ao total de itens de uma loja considerando o catálogo total de produtos. Por exemplo: se um varejo vende 10 marcas de água mineral de 500 ml e uma delas está sem estoque, a ruptura desse produto é de 10%. Calculado com base no mix de cada loja, o índice não considera o histórico de vendas e independe da demanda. 

Outro exemplo de ruptura pode ser observado quando o arroz parboilizado deixa de estar disponível no estoque da loja e outros tipos, como o integral, agulhinha ou arbóreo, continuam disponíveis. Em todos os casos, o termo “estoque” considera todo o espaço físico do varejo, incluindo a gôndola e o local de armazenagem para produtos ainda não disponíveis na prateleira. 

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