Supply Chain: uma rede conectada de negócios

Toda vez que você vai até um lugar ansioso para comprar determinado produto e não encontra - não porque não venda, mas porque "tinha, mas acabou e vai chegar de novo daqui uns dias, mas não sei quando", muito provavelmente o problema é de supply chain.

Trata-se de um problema porque, provavelmente, você desiste de comprar ali para comprar em outro lugar. E caso sua experiência seja melhor neste outro estabelecimento, você fica com a impressão de que o lugar é despreparado para atender suas demandas.

E por perder a sua preferência como cliente - de muitos outros, provavelmente -, é que essa questão, gerada pela má administração do supply chain, começa a trazer prejuízos para todos os elos da cadeia, desde a indústria até o varejo, passando por distribuidores e fornecedores de matéria-prima.

Mas afinal, o que é supply chain?

O supply chain (cadeia de suprimentos, em português) é o nome dado para o conjunto de empresas e pessoas que se relacionam entre si para trocar informações, produtos e serviços com o objetivo principal de atender as necessidades e desejos do consumidor final. Ou seja, garantir que, ao chegar numa loja, ele encontre com facilidade o produto que procura. E se você parar para pensar, tem muita gente envolvida.

Vamos tomar como exemplo o suco de laranja em caixa. Até você chegar no mercado e encontrar na prateleira, é necessário que alguém tenha plantado as laranjas e que elas tenham sido colhidas e processadas. Depois disso, o suco foi embalado, transportado e finalmente distribuído para empresas de varejo como supermercados. E, em meio a tudo isso, existem ainda processos de compra, negociação e dinâmicas de reposição complexas.

Todo o processo parece muito simples, quando funciona. Mas coordenar os fluxos de Supply Chain com todas as suas variáveis têm lá seus desafios. Um dos maiores reside no fato de que as cadeias de suprimentos contam com a participação de diversas empresas em cada nível. E estas, por sua vez, se relacionam em movimentações multilaterais, aumentando o número de variáveis a serem gerenciadas.

Também precisamos levar em conta o nível atual de exigência dos consumidores. Devido ao grande volume de informações que recebem diariamente, eles exigem das empresas das quais compram preço e prazo - se possível, para ontem. Se ele não encontra o que precisa em uma primeira loja, vai para outra e talvez não volte mais para a primeira - tudo porque a segunda foi mais feliz na gestão da sua cadeia de suprimentos. Mas sobre este assunto, falaremos mais adiante.

Valores importantes da Supply Chain

O supply chain tem foco na integração externa. Ou seja, inclui toda a transformação do recurso natural em insumos, a produção, a gestão e a distribuição de estoques.

Ter esse processo bem alinhado é essencial para a gestão de estoques – assim como contar com a tecnologia para automatizar esse gerenciamento. A cadeia de suprimentos depende, então, de um importante valor.

Saiba mais sobre a gestão de estoques

Como você já pôde perceber, todas as partes dentro da cadeia de suprimentos dependem da colaboração entre a indústria, o varejo e o distribuidor, pois nenhuma delas opera de maneira isolada. É importante que a estratégia de distribuição seja muito bem alinhada para evitar que as mercadorias fiquem paradas no estoque ou que faltem produtos nos pontos de venda.

Confira o artigo sobre a importância da colaboração

Além da colaboração, outro valor em alta no mundo corporativo é a sustentabilidade. Portanto, uma boa gestão também considera o impacto ambiental gerado na fabricação e distribuição das mercadorias. É essencial pensar em ações que reduzam o prejuízo à natureza, como a exploração responsável de recursos naturais e descarte correto dos resíduos da produção.

Outro bom exemplo de uma gestão sustentável é a atenção para não produzir mais do que a demanda, evitando o descarte de mercadorias devido ao prazo de validade vencido, principalmente no caso de alimentos. As embalagens utilizadas no transporte também podem ser mais sustentáveis, o que se torna possível ao reduzir sua quantidade e escolher materiais recicláveis.

Descubra como tornar o supply chain mais sustentável

Supply Chain Management (SCM): gerenciamento da cadeia de suprimentos

A supply chain, diante da sua grande abrangência, passando por vários departamentos e setores da companhia, requer uma gestão estratégica à altura. A ideia é que todos os processos integrem um sistema maior, que, ao final, acaba por contribuir para os resultados gerais das organizações.

A gestão da cadeia de suprimentos (Supply Chain Management, em inglês) é o processo de gerenciamento dos elos e profissionais envolvidos no processo de produção, de distribuição, de compras, financeiros e fiscais de uma empresa. Nesse sentido, o fluxo de circulação de bens, serviços e informações estratégicas para o trabalho fazem parte da SCM.

Em outras palavras, a relação da empresa com os seus fornecedores, parceiros e clientes deve funcionar em sintonia, privilegiando assim uma operação mais econômica, dinâmica e rentável para os envolvidos. E é por isso que essa gestão impacta a produtividade e a competitividade da empresa.

Sempre com o objetivo de otimizar a produção e oferecer aos consumidores finais os produtos nos prazos adequados e conforme suas expectativas, diversos métodos são utilizados para melhorar o controle de todas as suas etapas.

Outro ponto importante que deve ser destacado é o impacto que uma boa condução da Supply Chain Management tem no quesito custos para uma empresa. Ao conectar de maneira estratégica todos os integrantes da cadeia produtiva, como o capital humano da empresa, sua infraestrutura técnica e a relação com parceiros e fornecedores, os gestores conseguem rapidamente notar a diferença na sua gestão.

Os processos são otimizados, custos são revistos e o número de falhas despenca, junto com os gargalos e outros incidentes que podem prejudicar a qualidade e a satisfação do cliente final - o que, infelizmente, acontece com bastante frequência, principalmente entre as empresas que não contam com uma gestão eficiente da sua cadeia de suprimentos.

Há que se considerar, porém, uma realidade comum nas indústrias: muitas vezes estão envolvidas no processos empresas terceirizadas e fornecedores, tornando a gestão da cadeia uma tarefa ainda mais complexa. Isso porque torna-se muito difícil garantir a integração de todos esses agentes e também avaliar o desempenho de processos importantes, mas que muitas vezes estão fora do alcance da gestão interna, já que são executados externamente.

Fica muito claro então que o sucesso da gestão da cadeia de suprimentos está no fino alinhamento entre todas as partes envolvidas. O equilíbrio no fluxo de operações, então, é o que garante que todos os processos consigam acompanhar as demandas, evitando gargalos, desabastecimento e lentidão nas entregas, por exemplo.

Conheça o futuro da cadeia de suprimentos: a Supply Chain 4.0

A automação de processos dentro das empresas, especialmente nas indústrias, já é uma realidade no mundo dos negócios. Graças a essa mecanização, a cadeia de suprimentos tradicional evoluiu e, em muitos casos, chegou aos seu limite. Apesar de seu alto grau de tecnologia e sofisticação, ainda está caminhando para um modelo mais completo de indústria 4.0.

Essa mudança de cenário não aconteceu de uma hora para outra. Com a chegada da 4ª revolução industrial e a consequente transformação digital que atingiu todos os setores, outro elemento passou a ser considerado protagonista quando se fala de supply chain: os dados.

Atualmente, este é considerado por muitos um dos ativos mais valiosos de uma empresa. A capacidade de captar e, principalmente, interpretar esses dados traz para as empresas a possibilidade de tomadas de decisão muito mais assertivas. E isso, claro, atinge o consumidor final, que vê mais valor nas suas experiências de compra.

Por isso é que a cadeia de suprimentos 4.0 carrega uma forte influência da ciência de dados, permitindo uma maior integração entre os agentes que a compõem, apoiando sua performance em machine learning, inteligência artificial e internet das coisas - citando apenas os principais conceitos da onda 4.0 até agora.

Todas essas novidades possibilitam composições de cadeias de suprimentos inovadoras, capazes de englobar agentes em diferentes localidades, com diferentes características e portes. E tudo isso ajustado ao perfil de consumo dentro de cada loja.

Conheça algumas das tendências tecnológicas
que já estão revolucionando os conceitos de supply chain:

Inteligência Artificial
Quem vem acompanhando, ainda que de longe, o processo de transformação digital dentro das empresas, sabe que muitas decisões importantes são tomadas a partir da interpretação de dados e informações estratégicas coletadas por meio de softwares. Dados de desempenho, nível de estoque são cruzados com informações comerciais e gerenciais, gerando insights preciosos que auxiliam gestores a decidir a melhor maneira de produzir, fornecer, distribuir e atender seus consumidores.

Cadeias focadas no cliente
Cada vez mais, o alvo das cadeias de suprimentos é o consumidor final. E para o futuro, a expectativa é de que sejam ainda mais reduzidos os desperdícios de tempo e recursos, impactando assim na redução de custos por parte das empresas - e valores mais competitivos para os clientes.

Cadeias de suprimentos autônomas
Vem aumentando e a criação e aplicação de processos autônomos dentro das cadeias. O resultados são reações às variações do mercado percebidas com muito mais antecipação, permitindo margem para ação, diminuindo custos e reduzindo o desperdício.

E quais os ganhos que a cadeia de suprimentos 4.0 vai trazer para o mercado?

Otimização de custos
Dados, sistemas constantemente atualizados e equipamentos de ponta trabalharão para uma integração cada vez maior das atividades da cadeia. E isso, invariavelmente, irá refletir em uma otimização dos custos das operações, uma vez que a produção e os estoques são ajustados.

Otimização de espaços
Levando em consideração que toda a evolução tecnológica estará voltada para que a cadeia de suprimentos opere de forma cada vez mais cooperada, a tendência é de que as etapas evoluam à medida da demanda do consumidor - já que este será o responsável por toda a sua movimentação.

Sendo assim, todos os elos receberão todas as informações necessárias para fabricar a quantidade ideal de produto, focando nos produtos certos. E o processo de distribuição, por sua vez, trabalha para que cada varejo seja abastecido na medida exata do seu perfil de consumo.

E toda essa operação acaba por refletir nos estoques, que passam a manter dentro de suas estruturas apenas o que será efetivamente consumido.

Análise de dados aprofundada
As informações entregues são cada vez mais precisas e decisivas para as decisões das empresas. E isso também acaba refletindo no consumidor, que vê nas gôndolas um mix de produtos que de fato atende a necessidade de consumo. E isto nos leva ao último item, abaixo.

Satisfação do cliente
É claro que tudo isso gera clientes mas felizes e mais satisfeitos. E, além de tudo, mais fiéis às marcas que investirem com mais dedicação às evoluções que a cadeia 4.0 promete para um futuro bem mais próximo do que você possa imaginar.

Profissional de Supply Chain

Assim como a área de supply chain management ganha cada vez mais destaque no mercado em função do protagonismo das tecnologias cada vez mais avançadas e empenhadas em fornecer dados valiosos para a gestão, já era de se esperar que os profissionais que desempenham essa função passassem a ser mais requisitados.

Quais são as competências exigidas para ocupar este cargo nas organizações atualmente?

  • O conhecimento de tecnologia da informação (TI) é essencial para o profissional que deseja seguir carreira na área de supply chain, já que os softwares fazem parte do cotidiano de quem conduz esta tarefa tão estratégica.

  • O dinamismo também é outra qualidade essencial, já que o dia a dia da função é bastante agitado e exige ações e decisões rápidas. Também é muito importante conhecer a empresa bem o suficiente para poder estabelecer as prioridades dentro do horário de trabalho, já que muitas demandas parecem ter a mesma urgência.

  • Possuir agilidade de raciocínio, simplicidade para criar e executar estratégias.

  • Promover um forte relacionamento entre a empresa e fornecedores para que o trabalho seja realizado com comprometimento e parceria entre as partes.

  • Construir ao seu redor um ambiente que integre o negócio globalmente, para entender com maior clareza os riscos e preocupações, além de traçar estratégias que efetivamente melhorem os resultados da empresa.

  • Alinhar todas as operações de supply chain com a cultura da empresa e seus objetivos, para que ambos caminhem lado a lado, entregando um produto que atende as expectativas e atinge a total satisfação do cliente.

  • Também é muito importante ser fluente em mais de uma língua, já que normalmente o desempenho desta função coloca o profissional em contato com fornecedores de países diferentes.

  • A proatividade é outra qualidade muito valorizada no momento da contratação - e manutenção - de um colaborador na área de supply chain. Isso porque, diante do dinamismo da função, é importante ter a capacidade de prever problemas e trabalhar na sua resolução imediatamente, mesmo sem o aval de um superior. Como as decisões precisam ser rápidas, não há tempo para erros e muito menos para desculpas.

Apesar de ser um trabalho com uma série de exigências bastante específicas para um bom desempenho, cada esforço para seguir na carreira será muito bem recompensado, já que a cadeia de suprimentos é uma das áreas que mais crescem com a transformação digital e a maior competitividade entre as empresas - duas situações que apesar de novas, não têm data para acabar.