
Durante anos, a disputa por visibilidade no e-commerce seguiu uma lógica relativamente simples: quanto melhor o posicionamento de um produto nos mecanismos de busca ou marketplaces, maiores eram as chances de atrair consumidores e gerar vendas.
Essa lógica continua válida, mas deixou de contar toda a história.
Cada vez mais, consumidores utilizam ferramentas de Inteligência Artificial para pesquisar produtos, comparar alternativas e receber recomendações antes mesmo de acessar um canal de venda. Em vez de navegar por dezenas de páginas, eles fazem uma pergunta em linguagem natural e recebem uma resposta contextualizada, construída a partir de diferentes fontes de informação. Esse comportamento já representa uma mudança importante na forma como produtos são descobertos no ambiente digital, com a IA no e-commerce.
Essa transformação não significa o fim do Google, dos marketplaces ou das estratégias de SEO. Pelo contrário. Ela adiciona uma nova camada à jornada de compra: antes de chegar ao e-commerce, muitos consumidores já passaram por uma conversa com uma IA que ajudou a filtrar opções, comparar características e construir uma lista inicial de produtos.
Para as marcas, isso traz uma nova pergunta: Se antes o desafio era ser encontrado pelo consumidor, agora também é preciso ser compreendido pelos sistemas que influenciam suas decisões.
E é justamente aí que a qualidade das informações sobre um produto passa a desempenhar um papel estratégico.
A descoberta de produtos está passando por sua maior transformação em décadas
A ascensão da busca baseada em IA não é apenas uma evolução tecnológica. Ela representa uma mudança na forma como consumidores pesquisam e tomam decisões.
Metade dos consumidores já utiliza mecanismos de busca baseados em Inteligência Artificial, como ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity, para pesquisar marcas, comparar produtos e apoiar decisões de compra. A estimativa é que esse novo comportamento poderá influenciar US$ 750 bilhões em receitas até 2028, tornando a IA uma das principais portas de entrada para o comércio digital.
Ao mesmo tempo, a própria indústria acelera esse movimento. Em 2025, a OpenAI passou a incorporar recursos de compras ao ChatGPT Search, permitindo que usuários recebam recomendações de produtos com imagens, avaliações e links para compra diretamente na conversa. A proposta é reduzir o tempo entre a pesquisa e a decisão, transformando a IA em um novo ponto de descoberta para o varejo digital.
Mais do que acompanhar uma tendência, entender essa mudança significa compreender como a visibilidade das marcas começa a ser construída em um cenário onde responder bem às perguntas da IA pode ser tão importante quanto aparecer entre os primeiros resultados de busca.
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A busca deixou de ser uma pesquisa. Ela se tornou uma conversa.
Durante anos, a descoberta de produtos no ambiente digital foi baseada em um comportamento bastante previsível. O consumidor acessava um mecanismo de busca ou marketplace, digitava algumas palavras-chave e analisava uma lista de resultados até encontrar a opção que considerava mais adequada.
Hoje, essa jornada começa a seguir outro caminho.
Em vez de pesquisar “melhor notebook para trabalhar”, o consumidor pergunta:
“Preciso de um notebook para edição de vídeo, com boa bateria e até R$ 6 mil. Qual você recomenda?”
A diferença parece pequena, mas muda completamente a forma como a informação é apresentada.
Enquanto um mecanismo de busca tradicional organiza páginas e produtos para que o usuário faça sua própria análise, a Inteligência Artificial interpreta a intenção por trás da pergunta, compara diferentes alternativas e entrega uma resposta pronta, contextualizada e personalizada.
Na prática, o consumidor deixa de procurar informações. Ele passa a procurar recomendações.
Essa mudança reduz o tempo gasto na pesquisa, simplifica a tomada de decisão e torna a experiência muito mais próxima de uma conversa do que de uma busca tradicional.
É importante destacar que a Inteligência Artificial não substitui os mecanismos de busca tradicionais. Ela atua antes deles.
Isso cria uma nova etapa na jornada de compra.
Essa mudança faz com que a disputa por visibilidade comece antes do clique.
Se antes o objetivo era aparecer entre os primeiros resultados de busca, agora as marcas também precisam estar preparadas para aparecer entre as recomendações geradas pela IA.
Os números mostram que esse comportamento já está em evolução
Embora o uso da IA no e-commerce ainda esteja em expansão, os sinais de adoção são consistentes.
A Adobe Analytics identificou que o tráfego gerado por ferramentas de IA para sites de varejo cresceu 1.300% durante a temporada de compras de fim de ano de 2024 e continuou acelerando ao longo de 2025. Em julho de 2025, esse tráfego já era 4.700% maior do que no ano anterior. Além disso, 38% dos consumidores afirmaram já utilizar IA para apoiar compras online, e mais da metade pretende ampliar esse uso.
Mais do que um novo canal de aquisição, esses dados indicam uma mudança no comportamento do consumidor. A IA deixa de ser utilizada apenas para responder dúvidas e passa a fazer parte da etapa de descoberta, comparação e seleção de produtos.
A principal mudança não está na tecnologia, mas na forma como consumidores pesquisam produtos. Quanto mais a descoberta acontece por meio de conversas com Inteligência Artificial, maior a importância de oferecer informações claras, consistentes e fáceis de interpretar.
O novo desafio de ser compreendido.
Quando pensamos em visibilidade digital, é natural associá-la ao posicionamento em mecanismos de busca. Durante anos, essa foi uma das principais preocupações das marcas: investir em SEO, mídia e conteúdo para aumentar as chances de aparecer entre os primeiros resultados.
Mas, em um cenário onde a IA passa a mediar parte da descoberta de produtos, essa lógica evolui.
Não basta que um produto esteja disponível no e-commerce. É preciso que suas informações sejam claras o suficiente para que a Inteligência Artificial consiga interpretá-lo, relacioná-lo à necessidade do consumidor e considerá-lo relevante para uma recomendação.
Em outras palavras, a disputa deixa de ser apenas por espaço nas páginas de resultados. Ela passa a ser por espaço nas respostas.
A IA não “enxerga” produtos. Ela interpreta informações.
Ao acessar uma página de produto, uma pessoa consegue preencher diversas lacunas intuitivamente. Uma embalagem conhecida, uma boa imagem ou a reputação da marca ajudam a construir confiança, mesmo quando algumas informações estão ausentes.
A Inteligência Artificial funciona de maneira diferente.
Ela depende das informações disponíveis para compreender o que aquele produto faz, para quem ele é indicado e em quais situações deve ser recomendado. Quanto mais completo e consistente for esse conjunto de dados, maior será sua capacidade de interpretar corretamente o catálogo.
É por isso que elementos considerados básicos da operação de e-commerce passam a ganhar um papel estratégico.

Isoladamente, nenhum desses elementos garante que um produto será recomendado. Mas, juntos, eles ajudam a IA a construir contexto — e contexto é o que torna uma recomendação possível.
O problema raramente é a falta de dados
Na maioria das empresas, o desafio não está em produzir informações sobre os produtos. O problema é manter essas informações organizadas e consistentes ao longo de todos os canais.
É comum encontrar situações em que o mesmo SKU possui títulos diferentes entre marketplaces, atributos preenchidos de forma incompleta ou descrições desatualizadas em determinados varejistas.
Para um consumidor, essas diferenças podem parecer pequenas.
Para a IA, elas representam sinais conflitantes.
Quando um mesmo produto apresenta informações inconsistentes dependendo da fonte consultada, aumenta a dificuldade de compreender suas características e, consequentemente, de recomendá-lo com confiança.
É nesse ponto que qualidade de dados deixa de ser uma preocupação operacional e passa a influenciar diretamente a visibilidade digital da marca.
A próxima etapa dessa transformação já tem nome: GEO
À medida que a Inteligência Artificial ganha espaço na jornada de compra, um novo conceito começa a aparecer nas estratégias de marketing digital: Generative Engine Optimization (GEO).
Se o SEO busca aumentar a visibilidade de páginas nos mecanismos de busca, o GEO amplia esse objetivo ao preparar conteúdos para que também sejam compreendidos e utilizados por sistemas de IA na construção de suas respostas.
Isso não significa que o SEO perdeu importância.
Pelo contrário. Os mecanismos generativos continuam dependendo de informações publicadas na web para responder às perguntas dos usuários. A diferença é que, além de serem encontradas, essas informações precisam ser claras, consistentes e contextualizadas para que possam ser interpretadas com segurança.
Na prática, SEO e GEO não competem. Eles se complementam.
Enquanto o SEO continua sendo fundamental para ampliar a presença digital, o GEO representa uma evolução natural para um cenário em que a descoberta de produtos acontece cada vez mais por meio de conversas.

A Inteligência Artificial mudou o ponto de partida
A IA não substitui o Google, os marketplaces ou o e-commerce. Ela cria uma nova camada na jornada de compra.
No fim, essas estratégias trabalham juntas para alcançar o mesmo objetivo: tornar o produto mais fácil de encontrar, recomendar e escolher.
A forma como consumidores pesquisam produtos continuará evoluindo nos próximos anos, impulsionada pelo avanço dos assistentes inteligentes e dos agentes de compra.
Embora ainda seja cedo para prever todos os impactos dessa transformação, uma conclusão já parece clara: a qualidade das informações sobre um produto será cada vez mais importante para sua visibilidade no ambiente digital.
Marcas que investirem desde agora em catálogos completos, consistentes e atualizados estarão mais preparadas para competir em um cenário onde a Inteligência Artificial exerce um papel crescente na descoberta de produtos.
A tecnologia muda rapidamente. Mas a confiança continua sendo construída a partir de boas informações.
A qualidade das informações será cada vez mais decisiva para a visibilidade das marcas. Descubra como a Neogrid pode apoiar essa transformação.




