

Levantamento da Neogrid aponta melhora entre mantimentos básicos, enquanto o leite registra a maior alta de ruptura.
O Índice de Ruptura da Neogrid, indicador que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros, registrou 11,5% em abril de 2026 – uma queda de 0,2 ponto percentual (p.p.) em relação a março, quando o índice alcançou 11,7%. O resultado, portanto, sinaliza uma recomposição gradual do abastecimento no varejo alimentar com melhora em seis das oito categorias monitoradas e redução consistente da indisponibilidade em itens de alto giro e consumo essencial.
“O varejo brasileiro está bastante atento a essas transformações e processa informação diária para ajustar suas decisões. O consumidor tem sido mais consciente e estratégico, e isso exige uma revisão constante do mix, das compras e do abastecimento”, explica Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid. “Em um cenário em que cada visita à loja se torna ainda mais valiosa, o varejista sabe que não pode correr o risco de perder a venda por falta de produto na gôndola.”
De acordo com Munhoz, a busca por eficiência operacional ganhou ainda mais importância em 2026. “A ruptura é um perde-perde. Se o consumidor entra na loja com o orçamento mais controlado e não encontra o produto que procura, ele pode transferir essa compra para outro varejista. Por isso, o setor vem investindo em um abastecimento mais inteligente com ajustes finos de estoque e decisões cada vez mais orientadas por dados”, afirma.

Índice de ruptura geral. Fonte: Neogrid
Ruptura das categorias que se destacaram em abril de 2026 no Brasil:
Aumento:
Leite UHT: de 19,1% para 20,7% (1,6 p.p.)
Açúcar: de 8,4% para 8,7% (0,3 p.p.)
Queda:
Azeite: de 14,1% para 10,8% (-3,3 p.p.)
Ovos: de 27,0% para 25,5% (-1,5 p.p.)
Feijão: de 10,8% para 9,4% (-1,4 p.p.)
Arroz: de 11,7% para 11,1% (-0,6 p.p.)
Café: de 7,5% para 6,8% (-0,7 p.p.)
Ruptura do Leite UHT
O leite registrou a maior alta de ruptura entre todas as categorias monitoradas em abril. A indisponibilidade avançou de 19,1% em março para 20,7% em abril – alta de 1,6 p.p., consolidando uma trajetória de crescimento contínuo ao longo de 2026. Em janeiro, o índice era de 8,8% e agora supera o maior patamar da série recente para a categoria.
Segundo o IBGE, o leite longa vida foi um dos principais responsáveis pela aceleração do IPCA-15 de abril ao registrar incremento de 16,33% no período. Conforme o instituto, o grupo Alimentação e Bebidas avançou 1,46% com impacto de 0,31 p.p. sobre o índice geral, reforçando o peso da categoria no orçamento das famílias e na estratégia de abastecimento do varejo.
Na leitura da Neogrid, esse contexto ajuda a explicar a combinação entre aumento de preços e maior dificuldade de reposição, em um cenário marcado por menor oferta de leite cru, devido a sazonalidades climáticas, custos de produção no campo mais elevados e pressão logística sobre a cadeia de abastecimento. Em abril, todos os tipos de leite UHT apresentaram elevação no preço médio: o integral passou de R$ 5,45 para R$ 6,08; o semidesnatado, de R$ 5,46 para R$ 6,16; o desnatado, de R$ 5,36 para R$ 6,06; e o sem lactose, de R$ 6,83 para R$ 7,47.

Índice de ruptura Leite UHT. Fonte: Neogrid
Ruptura do Azeite
Depois de chegar ao maior índice de ruptura da nova série histórica em março, com 14,1%, o azeite apresentou a maior melhora entre todas as categorias analisadas. A indisponibilidade caiu para 10,8% em abril – recuo de 3,3 p.p. e o menor patamar do ano.
Em relação aos preços, o azeite virgem baixou de R$ 64,01 para R$ 62,66 por litro, enquanto o extravirgem permaneceu praticamente estável, passando de R$ 75,14 para R$ 75,21.

Índice de ruptura azeite. Fonte: Neogrid
Ruptura Ovos de aves
Mesmo com uma queda de 1,5 p.p. em abril, os ovos seguem com o maior índice de ruptura entre as categorias monitoradas. A indisponibilidade recuou de 27% em março para 25,5% em abril, mantendo-se, contudo, em um patamar historicamente elevado.
Nos preços, houve um comportamento misto. A embalagem com 12 unidades caiu de R$ 12,07 para R$ 11,98, ao passo que a caixa com 20 unidades saiu de R$ 17,34 para R$ 16,90. As 30 unidades oscilaram de R$ 21,53 para R$ 21,51. Já a embalagem com meia-dúzia subiu de R$ 7,42 para R$ 7,51.

Índice de ruptura ovos. Fonte: Neogrid
Ruptura do Feijão
O feijão registrou sua primeira queda de ruptura desde o início da nova série histórica da Neogrid. O índice recuou de 10,8% em março para 9,4% em abril – uma redução de 1,4 p.p. Apesar da melhora no abastecimento, os preços subiram em todas as versões monitoradas. O feijão vermelho passou de R$ 12,20 para R$ 12,40; o carioca, de R$ 7,96 para R$ 8,37; e o preto, de R$ 6,39 para R$ 6,62.

Ruptura do feijão. Fonte: Neogrid
Ruptura do Café
A ruptura do café caiu de 7,5% em março para 6,8% em abril – recuo de 0,7 p.p., dando continuidade ao movimento de estabilização da categoria. Os preços também apresentaram redução, com o café em pó passando de R$ 74,82 para R$ 73,60 por quilo, enquanto o café em grãos cedeu de R$ 136,19 para R$ 133,97.

Índice de ruptura do café. Fonte: Neogrid
Ruptura do Arroz
O arroz, contudo, apresentou sua primeira queda de ruptura desde outubro de 2025. O índice passou de 11,7% em março para 11,1% em abril, ou seja, uma retração de 0,6 p.p. Em relação aos preços, o arroz branco subiu de R$ 4,76 para R$ 4,82, e o parboilizado, de R$ 4,51 para R$ 4,60. Entretanto, integral foi a única versão com queda, passando de R$ 7,19 para R$ 7,15.

Índice de ruptura do arroz. Fonte: Neogrid
Ruptura do Açúcar
Na contramão da maioria das categorias, o açúcar, no entanto, registrou leve aumento de ruptura em abril, passando de 8,4% para 8,7%, alta de 0,3 p.p. Já os preços, o açúcar refinado atingiu o menor preço da série histórica, ao recuar de R$ 4,54 para R$ 4,40. Já o açúcar cristal apresentou leve alta, de R$ 3,68 para R$ 3,74.

Índice de ruptura do açúcar. Fonte: Neogrid
O que é ruptura?
Ruptura é um indicador que mostra a porcentagem de itens em falta em relação ao total de itens de uma loja considerando o catálogo total de produtos. Por exemplo, se um varejo vende 10 marcas de água mineral de 500 ml e uma delas está sem estoque, a ruptura desse produto é de 10%. Dessa forma, calculado com base no mix de cada loja, o índice não considera o histórico de vendas e independe da demanda.
Outro exemplo de ruptura pode ser observado quando o arroz parboilizado deixa de estar disponível no estoque da loja e outros tipos, como o integral, agulhinha ou arbóreo, continuam disponíveis. Em todos os casos, o termo “estoque” considera todo o espaço físico do varejo, incluindo a gôndola e o local de armazenagem para produtos ainda não disponíveis na prateleira.




